Whatsapp Álcool na menopausa: como ele afeta os hormônios, os sintomas e a saúde da mulher | Dra. Joise Wottrich
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Álcool na menopausa: como ele afeta os hormônios, os sintomas e a saúde da mulher

Durante a menopausa, o corpo feminino passa por mudanças hormonais importantes que impactam não apenas o ciclo menstrual, mas também o metabolismo, o sono, o humor e a resposta a diferentes estímulos externos. Entre eles, o consumo de álcool merece atenção especial.

Muitas mulheres percebem que, nessa fase da vida, a tolerância ao álcool diminui. Aquela taça de vinho que antes parecia inofensiva pode passar a desencadear fogachos mais intensos, noites mal dormidas, irritabilidade e cansaço no dia seguinte. A ciência ajuda a explicar por que isso acontece.


Por que o álcool age de forma diferente na menopausa?

A principal mudança da menopausa é a queda do estrogênio, hormônio que participa da regulação da temperatura corporal, do sono, do humor e do funcionamento do sistema nervoso central. Com níveis mais baixos, o organismo se torna mais sensível a agentes que provocam vasodilatação e estimulam o sistema nervoso, como o álcool.

Além disso, com o avanço da idade, o metabolismo do álcool se torna mais lento. O fígado passa a processar a bebida de forma menos eficiente, fazendo com que o álcool permaneça mais tempo circulando no organismo — mesmo quando consumido em pequenas quantidades.


Álcool e fogachos: existe relação?

Sim. O álcool é um vasodilatador periférico e pode intensificar os fogachos, um dos sintomas mais comuns da menopausa. Em mulheres nessa fase, o centro termorregulador do cérebro já está mais instável devido à deficiência estrogênica, e o álcool pode agravar essa instabilidade.

O resultado pode ser:
• aumento da frequência e intensidade das ondas de calor
• sudorese noturna mais intensa
• sensação de calor súbito acompanhada de mal-estar


Impacto do álcool no sono da mulher na menopausa

Embora o álcool possa causar sonolência inicial, ele prejudica a qualidade do sono, especialmente o sono profundo e o sono REM — fases essenciais para a recuperação física e emocional.

Durante a menopausa, o sono já tende a ser mais fragmentado. O consumo de álcool pode:
• aumentar os despertares noturnos
• reduzir a sensação de descanso ao acordar
• piorar fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração


Álcool, estrogênio e reposição hormonal

Estudos científicos mostram que o consumo de álcool pode elevar temporariamente os níveis circulantes de estrogênio em mulheres pós-menopáusicas. Esse efeito ocorre tanto em mulheres que não utilizam reposição hormonal quanto naquelas que fazem terapia hormonal.

Essa interação é relevante porque pode interferir na resposta clínica da reposição, tornando os efeitos menos previsíveis e, em alguns casos, intensificando sintomas ou efeitos adversos.


Álcool e risco de câncer de mama após a menopausa

A associação entre álcool e câncer de mama é uma das mais bem estabelecidas na literatura médica. Pesquisas indicam que o risco aumenta progressivamente conforme a quantidade de álcool consumida.

Após a menopausa, o tecido adiposo passa a ser a principal fonte de estrogênio no organismo. O álcool, ao elevar seus níveis circulantes, pode favorecer um ambiente hormonal associado ao maior risco de tumores hormônio-dependentes, mesmo com consumo considerado leve.


Existe uma quantidade segura de álcool na menopausa?

Do ponto de vista médico, não existe consumo de álcool totalmente isento de impacto, especialmente após a menopausa. Diretrizes internacionais sugerem que, se houver consumo, ele seja limitado a no máximo uma dose padrão por dia (aproximadamente 10 gramas de álcool).

Ainda assim, a tolerância é individual. Muitas mulheres relatam melhora significativa dos sintomas da menopausa — como fogachos e qualidade do sono — ao reduzir ou suspender o consumo de álcool.


Menopausa como convite à escuta do corpo

A menopausa não deve ser encarada apenas como uma fase de perdas hormonais, mas como um momento de ajuste e reconexão com o próprio corpo. Entender como o álcool interfere nos sintomas, nos hormônios e na saúde a longo prazo permite escolhas mais conscientes e alinhadas com bem-estar e longevidade.

Mais do que proibir, o objetivo é informar, individualizar e orientar com base em evidência científica.


Referências científicas
1. Alcohol use at midlife and in menopause: a narrative review.
Menopause. 2024.
NCBI - WWW Error Blocked Diagnostic
2. Ginsburg ES et al.
Effects of alcohol ingestion on estrogens in postmenopausal women.
Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 1996.
NCBI - WWW Error Blocked Diagnostic
3. Li CI et al.
Alcohol consumption and risk of postmenopausal breast cancer.
Journal of the National Cancer Institute. 2010.
Alcohol Consumption and Risk of Postmenopausal Breast Cancer by Subtype: The Women's Health Initiative Observational Study

POR: Dra. Joise Wottrich


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